A Prosa e a Poesia da Vida

Hoje acordei assim, cheia de luz, cheia de cores, cheia de tons. Naturalmente, sem efeitos, sem preconceitos, uma verdadeira LGBT.
Hoje precisei dessas cores para me deixar feliz. Precisei da luz que emana delas.

Não posso falar das outras épocas que não vivi mas posso apontar para tudo que vi hoje e senti. Disso, posso extrair o pessimismo que vai nos levar ao fim ou também posso extrair possibilidades, que nos levam avante.

Muito já estudei, muito já busquei e muito já aprendi. Sempre com pessoas incríveis. Repito, o humano é a nossa riqueza.

Aprendi que existem duas maneiras de viver, pode-se viver da prosa e da poesia. A prosa da vida é tudo aquilo que você tem que fazer; acordar todos os dias, fazer a higiene do seu corpo, da sua casa, pagar contas, sobreviver. A prosa é necessária mas ela não é a vida em si. A poesia é tudo que faz a vida valer a pena, que lhe dá prazer. Viver da prosa para a poesia, talvez esse seja o movimento certo. Talvez assim possamos encontrar, ou pelo menos buscar, a felicidade. É certo, que a felicidade como verdade absoluta não existe, mas todos nós sabemos que existe a poesia. Talvez tenhamos nos afastado da poesia, com a certeza de que se a prosa estiver perfeita, um dia, apenas um dia, chegaremos lá. Esquecemos que isso não passa de uma promessa que nunca se cumpre. Perdeu-se a humanidade. Buscamos a poesia onde ela não está.

A poesia está no descuido da prosa.

Quando menos esperamos, ela aparece, ali. E não precisa-se de muito para encontrá-la. Como diria o poeta gênio Luiz Melodia, tudo que se tem não representa nada. 

A má notícia é que cada um precisa e deve encontrar a sua própria poesia sozinho. Não há como se ter poesia sem viver na prosa. É preciso coexistir. Mas também não há como encontrar a poesia sem liberdade de ser, de expressar, de falar. Portanto a máxima LGBT é a que vale como representação da liberdade. Todos podemos ser o que quisermos, todos podemos optar pelo que nos dá prazer.

Todos temos direito à própria poesia, desde que não invada a prosa do outro.

Não sei porque falei sobre isso. Falei porque enquanto estava tomando meu café da manhã, mergulhada na prosa da minha vida, a poesia adentrou pela janela e banhou o meu rosto. Falei porque me incomoda a quantidade de pessoas pedindo ajuda na rua, a quantidade de profissionais fazendo outras “prosas” para vender, para sobreviver. Me incomoda que as pessoas estejam deixando de lado aquilo que elas mais sabem fazer, para subexistir. Me incomoda que crianças queiram estudar e não consigam, porque não têm escolas.

Porque quando se tira de um povo o direito básico de existência, de prosa, a primeira coisa que ele perde é a poesia.

Vamos continuar. Não vamos abrir mão da poesia, da nossa liberdade de expressão, do nosso bem mais precioso, daquilo que nos faz mais ricos.

Viveremos da prosa com poesia, sim, seremos a cigarra e também a formiga.

Como diz o gênio poeta,

Eu sou mais forte

Eu sou mais gente

Eu sou um rei

Eu sou a pura melodia

Que é feita de amor e alegria
Luiz Melodia

http://luizmelodia.com.br/m/

Um Corpo Caído no Chão 


Vivemos tempos tão sombrios que um simples pano caído no chão se transforma na mente da gente e nos faz lembrar o que não se pode mais evitar. O transbordar da desigualdade, o que exige da caridade a máxima elasticidade. Temos que ser todos elasticos para fugir das balas, das palavras de ordem e desordem. Do amanhã que parece incerto. Não. Não queremos fugir, queremos mudar, queremos olhar no olho daquele que ainda não foi, que ainda não deitou seu corpo no chão e dizer: irmão, quero teu braço, teu abraço, porque também como tu sou filho do Brasil. Um Brasil acorrentado, despedaçado mas que ainda reluz. Reluz o sol de Brasília, reluz o céu do sertão, reluz a praia no chão. Reluz, apesar daqueles que não sei de onde vieram tão cruéis. A crueza, sim, essa crueza, não vai anular a beleza de um povo lindo e feliz, do matiz da nossa voz. Um corpo estendido no chão vale. Vale a lágrima que escorre e silenciosa, alcança o peito para transformar em força a dor. Agora, tantos clamores em uma só voz. Por nós.

A Re Invenção do Real

É preciso reinventar-se. É preciso abrir mão do parecer pela valorização do ser. Nós não somos o que parecemos ser, mas o que parecemos ser, nos dá um lugar aos olhos dos outros. Sem que percebamos, caminhamos para fora e nos perdemos. É preciso reinventar o ser, nessa grande ilusão do parecer. É preciso reencontrar-se a si mesmo. Olhar para dentro de si, no espelho negro do ser.

@docotidianotiraste 

Portal

Esta coisa que chamamos humanos.

Este caminho que chamamos vida.

Este nada que chamamos morte.

Este tudo que chamamos amor.

Esta prisão que chamamos fome.

Esta pedra que chamamos possibilidade.

Este fim que chamamos guerra.

Este começo que chamamos compaixão.

Este andar que chamamos humanidade.

( poesia Portal, fotografia/local Paço Imperial – Rio de Janeiro, em 16 de junho de 2017 )

No Instagram vocês podem conhecer um pouco do meu trabalho como artista visual.

@docotidianotiraste 

Projeto Do Cotidiano Tiraste Poesia.

A ideia é extrair do cotidiano a poesia visual e fazer a intersecção da imagem com a poesia escrita.