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O Todo Pequenino

As coisas que vão no meu coração

não podem ser ditas

Pelo seu teor ordinário

Pelo seu imenso senso de inutilidade

Carrego em meu coração a humanidade
Desde a sua genesis ao seu fim
tudo aquilo que não é somente de mim
Sofro, por amor
Aquele do poeta
Aquele mundano que não se presta

As coisas que carregam meu coração
Não precisam ser ditas
São do mais elevado sofrer
São do mais rebaixado querer.

Quando somos o que desejamos
Não somos nada
Somos a humanidade inteira

Somos o caminho precário do todo pequenino.

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Perfluxo

Hoje, verdadeiramente me deixo levar.

Pelas ruas, pelos acontecimentos
Pelas atitudes, sem julgamento.

Como que entregue a um fluxo de vida

Que já se encontra a minha espera.

Hoje, verdadeiramente me deixo estar

A mercê dos fatos, dos erros e acertos
Sem espalhafato
Sem buscar um sentido para a busca

Solto-me

Caio
Levanto-me

E, sem mais, me encontro

Nesse por nada que é a vida
Então, assim, e somente assim

Torno-me dona de mim.

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Corpo da Alma.

Hoje, estava eu em diálogo sobre a necessidade feroz que sinto de fazer arte.

Algumas sentenças foram ditas:

Preciso da minha arte para me libertar da pressão da beleza sem alma. Estou envelhecendo e sinto que sem a arte eu enlouqueceria.

Artista não pode ficar na metade do caminho.

O corpo é uma bobagem. O corpo é só uma ferramenta, não pode ser uma prisão.

A aparência deve refletir a essência, a estrada. Só teme a finitude do corpo e seus sinais quem perde a conexão com a estrada da alma.

Então me deparei com essa reflexão de Alberto Caeiro:

Nos deuses a alma tem o mesmo tamanho que o corpo
E o mesmo espaço que o corpo
E é a mesma coisa que o corpo.
Por isso se diz que os deuses nunca morrem.
Por isso os deuses não têm corpo e alma
Mas só corpo e são perfeitos.
O corpo é que lhes é alma
E têm a consciência na própria carne divina…Mas o corpo perfeito é o corpo mais corpo que pode haver,
E o resto são os sonhos dos homens,
A miopia do que vê pouco.

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No Dia em que me Encontrei por Inteiro

Alguns momentos são tão profundos que chegamos a nos sentir imateriais, na constatação de que essa dimensão não passa de uma linha tênue. 

Parece que um passo a frente e nos juntariamos à chama única da vida, sem matéria, sem dor, sem dualidade, apenas o todo.  

Navegamos na dimensão do humano, da dualidade, do caos, como passagem, a passagem é necessária ou não seria possível suportar a imensa luz.

É preciso ultrapassar o humano para aceitar o divino.

Um Post de Domingo ou…

…a vida é uma espiral onde os momentos se encontram em paralelo no tempo. Hoje, meu filho de um ano de idade toma banho na banheira do apartamento antigo que agora é novo, para onde nos mudamos. Há quarenta anos atrás eu tomava banho na banheira da casa dos meus pais. Lembro que passávamos sabonete no encosto da banheira para que escorregasse melhor e estava feita a nossa diversão. Simplicidade plena de alegria.

Tive vários déjà vu no apartamento novo, como se o presente fosse o passado e vice versa, como se aquilo que vivo agora já tivesse sido vivido. O tempo se movimenta em dimensões que desconhecemos.

Ver meus filhos crescerem me faz pensar na minha infância, o futuro já tão próximo vira passado e o presente se engrandece e dá sentido a vida.
A vida dança e se eterniza pelo amor, o ódio escorre pelo ralo e se esvai. Os medíocres, me condoeço deles porque jamais entenderão as sincronicidades, jamais aprenderão com as adversidades da vida. Mas meu coração é grande e eu posso ter compaixão.
A vida é muito mais do que nossa vã consciência pode alcançar.
E o retorno da curva, é certo.

Sempre Preferi o Beijo dos Namorados a Roda Gigante.

Está chegando a hora da mudança. A obra chegará ao fim. A casa nova, suada, desejada, está por se realizar. Em alguns momentos, principalmente agora que está por findar a luta, parece mais difícil suportar. As dificuldades ficam dilatadas e apesar do tempo passar rápido, parece estar congelado e pesado.
A vida real é sempre feita de causa e efeito, de ação e consequência. Não se pode anular um lado da vida. Nem a sombra, nem a luz. Confesso que sou forte na minha fragilidade, sempre fui, sempre dependi da bondade dos outros, e sempre a colhi no quintal daqueles que me amam. Confesso que muitas vezes erro por não suportar o peso que acabo suportando. Até que o fim chega e o presente se torna mais leve depois da batalha. E assim a vida passa como uma montanha russa. Nunca gostei de parques de diversões, sempre preferi o beijo dos namorados na roda gigante do que a própria roda gigante em si.
Aceito minhas fragilidades, e suporto porque preciso suportar. Para ganhar o beijo é preciso na montanha russa estar.