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Corpo da Alma.

Hoje, estava eu em diálogo sobre a necessidade feroz que sinto de fazer arte.

Algumas sentenças foram ditas:

Preciso da minha arte para me libertar da pressão da beleza sem alma. Estou envelhecendo e sinto que sem a arte eu enlouqueceria.

Artista não pode ficar na metade do caminho.

O corpo é uma bobagem. O corpo é só uma ferramenta, não pode ser uma prisão.

A aparência deve refletir a essência, a estrada. Só teme a finitude do corpo e seus sinais quem perde a conexão com a estrada da alma.

Então me deparei com essa reflexão de Alberto Caeiro:

Nos deuses a alma tem o mesmo tamanho que o corpo
E o mesmo espaço que o corpo
E é a mesma coisa que o corpo.
Por isso se diz que os deuses nunca morrem.
Por isso os deuses não têm corpo e alma
Mas só corpo e são perfeitos.
O corpo é que lhes é alma
E têm a consciência na própria carne divina…Mas o corpo perfeito é o corpo mais corpo que pode haver,
E o resto são os sonhos dos homens,
A miopia do que vê pouco.

UM POVO SEM CULTURA É UM POVO SEM VOZ

Defender a cultura hoje virou algo condenável, como se todas as manifestações artisticas fossem iguais. Uma generalização que traduz bem o momento em que estamos vivendo, e os políticos fundamentalistas se apropriam disto. Como bem disse Vik Muniz, o sonho de todo autoritarista é presidir sobre uma nação de mudos. Pois bem, nós artistas não vamos nos calar, porque sabemos o que está por detrás desses fatos pontuais de censura, sabemos o que diz a mensagem subliminar.
Pensando sobre isto, me lembrei de O Grande Discurso de Charles Chaplin, que eu tinha pendurado na parte de dentro da porta do meu armário, no meu quarto de criança. Estava fadada a ser artista, pobre menina, fadada a militar pela liberdade de expressão e contra qualquer tipo de exploração. Lembrei disso porque a grande massa talvez não entenda, justamente por estar sendo manipulada. Chaplin tentava acordá-la ou pelo menos fazer uma analogia a sua dormência

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que controlam as vossas vidas, que ditam os vossos actos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado e vos usam como carne para canhão. Não sóis máquinas! Homens é que sóis! E com o amor da humanidade nas vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos! Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!”

Muito difícil fazer despertar, muito difícil mas se pode plantar a semente, semear, a função política da arte é esta, então sigamos fazendo arte.