Há Resistência Possível pela Arte?


Ao ler um chamado para uma palestra com Rafael Cardoso no Paço Imperial, me deparei com a questão que norteia meu trabalho como artista nos últimos meses “Quais princípios podem nortear as ações de combate às transformações que ameaçam o próprio sentido coletivo da arte? Essa questão se torna ainda mais essencial num momento em que a transgressão se encontra cada vez mais domésticada no meio artístico. Há resistência possível pela arte?” 

Primeiramente, ( claro que me vem a mente #foratemer, mas esta é outra questão, ou não ) arte é resistência. Esta questão se encontra mais no cerne do artista do que da própria arte que ele produz. A arte jamais perde sua função política, de resistência, o artista é que se torna domesticado pelos meios, por causa da necessidade de sobrevivência. Aliás, essa é uma das mais nobres questões do artista, como conciliar a arte que ele quer produzir, com a sobrevivência no mercado, congelado por modismos ou velhos cânones. Realmente este é um momento em que fica mais dilatado esse conflito por causa da exacerbação da necessidade de um posicionamento politico do artista, que é considerado vagabundo ou alguém que quer mamar nas tetas da democracia, ou que vive de vento, de aplausos e belos sorrisos. Esse momento passará por fim e nós artistas sobreviveremos, com certeza, mas a questão que nos perturba e nos engrandece ao mesmo tempo ( porque nos aproxima dos grandes, que pelo que sei, experimentaram todos tais dúvidas ) é como fazer um trabalho de resistência, sem panfletos ou partidos. Como não cair no conto do domesticado e não começar a falar da maneira como todos falam. Manter a sua fala única. Esta é a resistência possível pela arte. Me parece difícil, muito difícil quando se trata de sobreviver.

Não poderei ir à palestra, porque às quartas-feiras não tenho quem fique com meu filho Tom, infelizmente, o dever de mãe me chama mais alto mas com certeza, continuarei indagando sobre isso no meu fazer. E numa tentativa de manter as esperanças, me lembrei da frase de Nietzsche, “aquilo que não nos mata, nos torna mais fortes”.

“Eu sou uma atriz, mas não sou só uma atriz”

Disse Audrey Tautou em sua mais recente entrevista ao NY Times https://mobile.nytimes.com/slideshow/2017/06/20/t-magazine/audrey-tautou-superfacial/s/19tmag-audrey-slide-3S87.html?referer=http://m.facebook.com/
referindo-se ao seu trabalho de fotografia, intitulado Superfacial.
Uma série de autorretratos e algumas fotos de jornalistas que a entrevistaram no decorrer de sua carreira.
Achei muito oportuna e mais que isso, necessária essa referência a medida que também faço um trabalho autoral com fotografia e grande parte dele com autorretratos. Durante algum tempo, senti o preconceito dos dois campos, das artes plásticas e da atuação. Cheguei a ouvir que eu deveria me decidir entre ser atriz ou fotógrafa. Sinto que meu trabalho fala justamente de ir além desta visão especialista.

Muitas vezes quando a sua imagem é conhecida do grande público, torna-se essencial ao artista questionar a própria natureza da fama. Transpondo seu trabalho para além dela.
Quando Audrey Tautou diz que é uma atriz mas não só uma atriz, refere-se à sua identidade como artista, revelando toda a sua complexidade, independentemente da fama. Falar sobre isso, é, de certa forma uma subversão, aceita por alguns e rejeitada por muitos. Mas os artistas estão, cada vez mais utilizando meios de produção comuns em seus trabalhos autorais, e ousando redimensionar a imagem em um mundo que a banalisa ao extremo.
Numa época em que selfies de atrizes famosas valem muitos likes, redefinir a imagem é uma atitude corajosa e eu diria, até mesmo de vanguarda. Na busca pela originalidade utilizando algo do senso comum, Audrey subverte o que se espera de uma atriz. Afinal você é aquilo que se propõe ser e não o inverso.

Old fashion

Descobri que gosto do meu lado fora de moda, ou melhor falando, do meu lado mais antiquado.
Meu marido me disse outro dia: “Você sempre foi tão estilosa, sempre usou roupas que só você poderia escolher e combinar!”, fiquei muito feliz com a injeção de auto estima.
Já fui chamada de hippie de forma pejorativa e já estive na top list das mais bem vestidas. Sempre digo nas entrevistas, quando me perguntam sobre moda, que ela existe para nos dar acesso a um estilo próprio. Ela tem que ser confortável para o dia a dia e ajudar a expressar a sua personalidade. Por isso, amo as peças clássicas!

http://morandosemgrana.com.br/17-pecas-para-montar-um-guarda-roupa-elegante-com-pouco-dinheiro/

E parece ter gente que pensa como eu!

peças clássicas do guarda roupa podem ser combinadas com algo mais contemporâneo ou romântico. Vestem bem as mais magrinhas ou as mais curvilineas.
São democráticas!
E depois, nos dias de hoje, torna-se impossível seguir a última tendência da moda o tempo todo. Acho que seguir a última tendência o tempo todo é de última!
Sem contar que não é nada ecológico e sustentável. Por isso a quantidade de sites e aplicativos de troca e venda de roupas usadas.

https://repassa.com.br/

http://loja.caixavintage.com.br/

E muitos outros!

Ouvi dizer que em Londres é fora de moda comprar roupas novas. É notório, que no mundo de hoje, com o excesso de lixo que produzimos, é bem mais saudável reciclar também as peças do vestuário. Claro que você pode manter o amor às suas marcas favoritas, http://alphorria.com.br/ Até porque o acesso a roupas e objetos de qualidade nos fazem mais felizes do que sair por aí comprando qualquer coisa sem um critério de qualidade. Neste ponto eu gosto de ser exigente.

Deveríamos preferir o clássico e ousar no novo de forma a valorizar a diferença que mora dentro de cada um. Usar a moda para descobrir novas possibilidades e não ficar presa ao que todos usam. Afinal, adequar-se é mais uma questão de personalidade do que de consumo.
Hoje, faço um mix do meu lado mais antiquado com o que vejo de mais novo e ousado. Assim me sinto livre para ser quem sou. Consumo de forma consciente para não afetar o planeta e o meu bolso, principalmente.

http://ego.globo.com/moda/noticia/2016/01/carolina-kasting-abre-guarda-roupa-e-fala-sobre-segunda-gravidez-aos-40.html

Meu primeiro post

Queridos,

O site www.carolinakasting.com está em working progress, em breve estará pronto. Faremos lançamento e tudo mais!!!!!

Enquanto não fica pronto, vamos aproveitar o espaço do blog?!

Aqui é um lugar para que eu possa escrever e me comunicar mais rapidamente com vocês. Minhas redes sociais vocês já conhecem @kastingcarolina no Instagram e Twitter e a página oficial www.facebook.com/carolinakasting.oficial

Mas agora tenho a alegria de encontrar vocês também por aqui. Comentem, participem, estaremos sempre atualizados.

Beijos carinhosos

Carolina Kasting