Há Resistência Possível pela Arte?


Ao ler um chamado para uma palestra com Rafael Cardoso no Paço Imperial, me deparei com a questão que norteia meu trabalho como artista nos últimos meses “Quais princípios podem nortear as ações de combate às transformações que ameaçam o próprio sentido coletivo da arte? Essa questão se torna ainda mais essencial num momento em que a transgressão se encontra cada vez mais domésticada no meio artístico. Há resistência possível pela arte?” 

Primeiramente, ( claro que me vem a mente #foratemer, mas esta é outra questão, ou não ) arte é resistência. Esta questão se encontra mais no cerne do artista do que da própria arte que ele produz. A arte jamais perde sua função política, de resistência, o artista é que se torna domesticado pelos meios, por causa da necessidade de sobrevivência. Aliás, essa é uma das mais nobres questões do artista, como conciliar a arte que ele quer produzir, com a sobrevivência no mercado, congelado por modismos ou velhos cânones. Realmente este é um momento em que fica mais dilatado esse conflito por causa da exacerbação da necessidade de um posicionamento politico do artista, que é considerado vagabundo ou alguém que quer mamar nas tetas da democracia, ou que vive de vento, de aplausos e belos sorrisos. Esse momento passará por fim e nós artistas sobreviveremos, com certeza, mas a questão que nos perturba e nos engrandece ao mesmo tempo ( porque nos aproxima dos grandes, que pelo que sei, experimentaram todos tais dúvidas ) é como fazer um trabalho de resistência, sem panfletos ou partidos. Como não cair no conto do domesticado e não começar a falar da maneira como todos falam. Manter a sua fala única. Esta é a resistência possível pela arte. Me parece difícil, muito difícil quando se trata de sobreviver.

Não poderei ir à palestra, porque às quartas-feiras não tenho quem fique com meu filho Tom, infelizmente, o dever de mãe me chama mais alto mas com certeza, continuarei indagando sobre isso no meu fazer. E numa tentativa de manter as esperanças, me lembrei da frase de Nietzsche, “aquilo que não nos mata, nos torna mais fortes”.

A Re Invenção do Real

É preciso reinventar-se. É preciso abrir mão do parecer pela valorização do ser. Nós não somos o que parecemos ser, mas o que parecemos ser, nos dá um lugar aos olhos dos outros. Sem que percebamos, caminhamos para fora e nos perdemos. É preciso reinventar o ser, nessa grande ilusão do parecer. É preciso reencontrar-se a si mesmo. Olhar para dentro de si, no espelho negro do ser.

@docotidianotiraste