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Deus é Feminino

Da série Readymade – Título Tinta Branca

Por causa de uma série de coisas pelas quais estou passando, ( escreverei sobre elas mais tarde, quando tiver atravessado a correnteza e tenha um tempo de suspiro e elevação para construir com palavras a vivência ), descobri suavemente e dolorosamente que Deus é feminino.

Ele ou melhor, Ela não pode se mostrar em toda a sua natureza, justamente pela necessidade de ser indecifrável a olhos mundanos.

Os olhos que a enxergam precisam travar uma batalha árdua em território carnal para se reencontrarem com Deus em sua poção divina. E essa poção é feminina no sentido mais amplo, da criação, da capacidade de adaptação, da descomunal força, do paradoxo que encerra em si, até mesmo da batalha a ser travada.

E talvez essa descoberta seja o despertar para o sentido de vida e morte, de construção e desconstrução, de finitude e renascimento no qual travamos nossas braçadas. No fundo, no fundo, gostaria de falar sobre isso através da arte.

 

 

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Gratidão e Amor. Venha, 2018!

Para mim a vida profissional não está separada da vida pessoal, assim como o corpo não está separado da alma. Esse ano que passou me deixou muitas lições, uma delas foi o encontro que tive com minha própria totalidade como ser humano. Esta totalidade, a encontrei no amor, na arte, na relação com o outro. A integridade encontrou seu sentido na vida. As parcerias nunca foram tão fortes. Por isso gostaria de agradecer às pessoas que compartilharam comigo essa jornada. Gratidão e amor por todos vocês. 

Que em 2018 sigamos juntos com mais sementes plantadas e mais frutos colhidos.

 Venha, 2018!

Mauricio Grecco Cora Arruda Grecco Rafael Grecco Carol Nasser Shirley Yanez Sayonara Sarti Vanessa Clark Karen Brusttolin Chapelaria Barbarah Sofitel Ipanema Rosenete Pereira Lucas Pereira Nova Assessoria Pino Gomes Alphorria Sergio Arruda Yara Kasting Arruda Carla Alves Fábrica Bhering 

Tuna Dwek Solange Pereira Galeria Eixo Arte Clube Quindim Volnei Canonica Roger Mello Yabú Uma Sara Figueiredo Cadu Lacerda Flavia Rodrigues Close In Closet Guga Arruda Milene Arruda

Tom Arruda Grecco Diego Senra Names Agenciamento Priscilla Prade Ivann Willig Estúdios Globo Janine Bastos Rodrigo Aidar Valesca Hime Rejane Kasting Arruda 

Glow Dry Bar Lena Valzinha Gabo Café We Do Yanez Confeitaria Marion Brasil Fernanda Thibau Vanessa Cabidelli Costão do Santinho Resort Mauricio Arruda Mendonça Paulo de Moraes Mirinha Renata Grecco 

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A Terra e o Tempo, quem somos nós nesse Natal?

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.”


Foi mesmo! Nunca vivi um ano tão intenso, tão difícil e maravilhoso ao mesmo tempo. Coisas inacreditavelmente lindas aconteceram e me deparei com situações em que a vida me disse sem rodeios: ou você muda, ou você muda. Realmente quero que o ano acabe mas não sem agradecer por estar viva e por amar meus filhos. 

Os filhos nos apresentam um espelho do que somos, daquilo que fomos. Muitas vezes é doloroso e a vontade que temos é de negar a realidade, fingir que nada está acontecendo e jogar para debaixo do tapete mas quem já viveu o suficiente e adquiriu um pouco de maturidade sabe que a realidade se impõe. Fingir que ela não existe não é uma opção. Você pode até fazer de conta que é, mas cedo ou tarde a verdade vem a tona. 

Então, qual seria a saída? Constatando que o ganho só se conquista com a dor, o jeito é encarar de frente as dificuldades e enfrentá-las. Assim, e somente assim elas somem, desaparecem, e este é o verdadeiro milagre humano, a capacidade que nós temos de mudar, de se adaptar, de se reinventar para a própria sobrevivência.

Esta é a minha mensagem de esperança para esse Natal e novo ano que se aproxima. Diante de todas as adversidades, que foram muitas, até mesmo gigantescas, no Brasil e no mundo, em 2017, a única saída é manter a esperança de forma consciente e se reinventar. Assim poderemos construir um mundo melhor. Fazer isto no micro cosmos da minha casa, com os meus filhos e no macro cosmos da minha cidade, do meu país, do nosso Planeta.
A Lei do Retorno deveria ser ensinada às crianças desde pequeninos, para que pudessem crescer sabendo que se eu jogo um lixo no chão e não me preocupo em onde ele vai parar, estou fazendo mal a mim mesmo, porque a chuva cairá, levará o meu lixo para o mar, que matará a tartaruga que não comerá as algas, e provocará um desequilíbrio ecológico. Nesse sentido podemos pensar de várias âmbitos, no ecológico, psicólogo, afetivo, físico e até mesmo estelar. 

Portanto, desejo a todos nesse Natal consciência, principalmente consciência.  Que as ferramentas possam ser usadas para nos trazer consciência e não nos alienar. 


Que em 2018 possamos continuar o esforço de compreender melhor os impulsos da natureza, dentro e fora de nós. Que possamos respeitar o sol e a sombra. Quando estivermos na noite, na escuridão, que possamos acreditar no sol, ele existe mesmo que não estejamos vendo-o. 
Que durante a calmaria possamos entender a tempestade e que durante a tempestade sejamos capazes de acreditar na calmaria. 

Somos parte da Terra e a Terra é aquilo que nos faz existir. 

Que possamos respeita-la. 


Desejo um feliz Natal para todos no espírito de respeito, amor e compaixão. 

www.costao.com.br

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A noiva mais feliz do mundo.

Meu casamento foi pleno e perfeito, porque foi a nossa cara. É muito emocionante celebrar uma relação de dezoito anos porque a gente já construiu uma história juntos e ver nossos filhos e amigos reunidos foi lindo. Fui a noiva mais feliz do mundo! E nada disso teria sido possível se não fossem os profissionais maravilhosos que eu escolhi para realizar o meu sonho. São eles!

Vestido Carol Nasser @carolnasseratelier

Beauty Nat Rosa @natrosamakeup

Produção Shirley Yanez @shirleyyanezb

Decoração @wedoyanez

Assessoria de Imprensa Sayonara Sarti  @sayonarasarti @novaassessoriaerp

Fotos Carla Alves @carlaalvesfotografia

Joias Vanessa Clark @vanessaclarkjoias

Arranjo de cabeça Barbarah Heliodora @chapelariabarbarah

Unhas @glowdrybar

Stylist da Cora e Tom Karen Brusttolin @karenbrusttolin

Flores (lavandas, saudade e suculentas) @wedobotanica

Papelaria e caligrafia moderna dos convites Jorge Yanez @jyanezdesign

Bem-casados e bala de côco @confeitariamarionbrasil

Doces fitness @dilemasdalala

Massagem na noiva @pesnasnuvens com produção de @allana_villela

Dia da Noiva e Lua de Mel @sofitelipanema

Vinhos veganos @medusaurbana / @vinhos_canivezi

Espumante @winevinhos

Bolo e macarons @rafaelapanisset

Buffet vegetariano @bloisebuffet

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DJ Lucas Alves @outknives

E a festa continua na vida, com amor…

Carolina Kasting
#casamentocarolkasting #miniwedding #casamentoperfeito

Vamos Falar de Casamento

Faltam menos de dois meses para o meu casamento e chegou a hora de dar as dicas tão esperadas.

Depois de dezoito anos casados, vamos casar!

Vamos celebrar as conquistas e os filhos, os amigos e o amor, principalmente o amor.

Também já não sou mais nenhuma noiva em busca de um príncipe encantado, até porque já encontrei o meu ( risos ) e as mulheres contemporâneas não agem mais como princesinhas, são guerreiras e sabem o que querem.

Pensando em tudo isto, estou preparando, com a ajuda da incrível Shirley Yáñez, um casamento que será mais uma celebração do que uma cerimônia. Será um miniwedding, sem padre ou padrão, vamos pensar em tudo que nos faz feliz, a mim e ao noivo, e a festa será assim.

Começando com a lista de convidados. Este foi o item que tive maior dificuldade em fazer porque dá vontade de convidar todo mundo!!!!!

Se você optar por um mini wedding deve fazer uma lista de no máximo cem convidados, pensando que normalmente 30% dos convidados não comparecem a festa. O lugar também é fundamental. Pense em um local acolhedor e que tenha um significado bonito para vocês.

Eu escolhi fazer em casa, porque ela representa uma nova fase da nossa vida e os convidados celebrarão conosco também o novo lar.

A parte ruim de uma lista de casamento seleta é que algumas pessoas podem ficar chateadas de não serem convidadas mas se você falar com jeitinho elas compreenderão. A parte boa é que a festa ficará mais íntima e vocês poderão atender a todos, falar com todos os convidados e se divertir com os amigos em uma linda confraternização. Sabe aquela história de “não consegui ver ninguém no meu casamento?!” No mini wedding isso não acontece.

Segundo item, o vestido. O meu será um Carol Nasser. Escolha um estilista que você admira e que possa fazer um vestido sob medida para você. Estilistas que têm atelier pequeno, normalmente podem dar maior atenção aos seus clientes e fazer algo mais exclusivo.

Eu prefiro vestidos mais delicados, nada de rendas duras e saias armadas. Aquela noiva que em muito se assemelha ao bolo, já saiu de moda e não combina com o conforto que buscamos hoje em dia.

As joias precisam ser pensadas e criadas a partir do vestido, as minhas serão Vanessa Clark.

Não deixe de pensar na roupa da família toda mas todos devem estar se sentindo bem, nada de impor uma cor ou estilo. Cora terá Assessoria de estilo de Karen Brusttolin ( @closeincloset ). Mauricio, Tom e Rafael, serão vestidos por eles mesmos ( risos ).

Um item muito importante é a cerimônia em si, mas não gosto deste nome porque me parece arrastado e cansativo, como aquele casamento que você fica horas em pé, e não se sente próxima dos noivos. Optei por fazer o que chamo de ritual, e nesse aspecto deixar o momento acontecer é muito importante.

Cada um se propôs a fazer o que gosta: escrevi um texto/poesia para ler, não faço a menor ideia do que Mauricio fará para mim ( risos ), Tom entregará a caixinha com as alianças que esconderemos em uma caixa maior, para ficar divertido para um bebê de 1 ano, e Cora está pensando em cantar. Perguntem se eu vou chorar. Já estou combinando com a mega Blaster amiga maquiadora Nat Rosa que fará a minha beauty para que a make seja a prova de lágrimas ( risos ).

Os padrinhos serão dois amigos que amamos muito, Volnei Canonica e Roger Mello, que escreverá um texto sobre nós.

buffet. Acho este item sempre negligenciado nas festas. Comete-se o equívoco de oferecer opções nem um pouco saudáveis, como se comida tivesse que ser pesada para ser saborosa.
Sou da opinião que “saiba o que como, saberás quem sou”. É importantíssimo apresentar aos convidados não só uma comida de qualidade, como também que traduza quem vocês são.

Confesso aqui que esse casamento será um presente, uma homenagem ao meu marido e espero que ele não leia este texto para não estragar a surpresa. Quando fiquei sabendo que poderia fazer uma apresentação de culinária vegetariana no meu casamento, quase chorei. E pasmem, é mais saborosa do que qualquer outra porque valoriza cada ingrediente. Mas o meu conselho é, ofereça aquilo que você gosta, seus convidados vão se sentir em casa. Vinhos e espumantes também não podem faltar nesse ritual!

Teremos um DJ com playlist escolhida por nós todos. Será uma lista eclética pois cada um tem seu estilo.

Ah, e não deixe de registrar esse momento único, em fotos e vídeos, em tudo que for possível. Ele ficará eternizado no coração das pessoas que estiverem presentes mas não custa registrar.

Durante esses dias que faltam, tentarei mantê-los atualizados.

Viva os noivos, todos eles, e que sejam felizes para sempre!

Sobre Criar um Site

Site – ( subst.) lugar

To site – ( v. ) situar

E, no delicioso português de Portugal, também um sítio quer dizer um lugar.


Minha vida sempre foi um exercício de procurar me entender na realidade, encontrar um lugar e me relacionar com os outros deste lugar.
Como artista, sempre tive dificuldade de encontrar um título que desse conta do que sou, ou de qual fala é a minha.

Comecei nos palcos como bailarina, migrei para o teatro, depois comecei a fotografar e então a escrever. Passei a fazer tudo ao mesmo tempo. Me tornei o que hoje intitula-se artista multimídia.
Sigo sempre unindo as imagens com as palavras, como se elas fossem personagens sem palavra, personagens que falam, mas sem palavras, como Kattrin de Mãe Coragem de Brecht. Todas são Kattrin. Mudas falantes de uma ótica poética. E assim vou encontrando o meu lugar. Para o artista é muito importante saber o quê e como ele quer falar, só então os outros saberão ouvir.

Mas o que o site tem a ver com tudo isso? Decidi fazer meu site sozinha, porque achei muito difícil fazer esse exercício através de outra pessoa. Como tudo que faço, acabei transformando esse fazer em um crescimento pessoal e profissional. Durante o processo, que não chegou ao fim e que nunca chegará, descobri que sou uma atriz, também fotógrafa e também poeta. Parece simples e é fácil de pensar, mas ela já não sabia disso? Sabia mas não me havia contado. Contar a si mesmo o que se é, é algo difícil às vezes. Esperar que os outros digam o que você é, é um caminho inglório, na maioria das vezes.

Conclusão, o site me ajudou a encontrar um lugar; como uma cortina de fumaça, ele o desvelou. Ele contém passado, presente e futuro. Ele está constantemente em processo, como eu. Comporta unir tudo que produzo e penso em um único lugar.

Fico feliz comigo mesma. Para uma artista que entrou na web de forma bastante tardia, estou me superando.

Mas o maior prazer mesmo é compartilhar com o público. Essa é a grande glória da web. Estamos todos por aqui, juntos, misturados, separados e compartilhados.

Por que falar de casamento? 


Não sou uma blogueira comum, não, não sou, definitivamente. Escrevo pelo prazer de transmitir ideias e conceitos, que podem e devem ser questionados, com delicadeza.

Hoje vou falar sobre casamento e acredito que não seja a última vez.

Mas por que falar de casamento? Porque a celebração foi marcada para outubro e está dada a largada para os preparativos.

Não será um casamento comum, não, não será, definitivamente. Até porque a noiva e o noivo já estão casados há 18 anos, têm dois filhos juntos e um terceiro, enteado da noiva; será portanto, uma celebração da vida que tivemos juntos, e ainda teremos, das conquistas compartilhadas e dos perrengues superados, sim, por que não? Com uma vida compartilhada há quase vinte anos, já é hora de se saber que ela não é um mar de rosas, que ela tem muitos espinhos e que muitas montanhas terão de ser escaladas.

Adoro essa palavra, celebração. Uma mini celebração, somente para os amigos mais íntimos, porque afinal, nesta época de crise, ninguém quer esbanjar. E sempre fomos, ele e eu, pessoas de petit comité, ou seja, poucos e muito bons amigos. Nesse aspecto meu casamento estará dentro da tendência, será um mini wedding. Ninguém quer mais gastar uma fortuna, o que na minha humilde opinião, é cafona. Esta tendência já está concretizada e aprovada. Imaginem a quantidade de noivas que, como eu, já dividem um lar com o marido. Então, vamos de mini wedding!

E já posso adiantar, a decoração será simples, será um simple wedding, sem deixar de lado a elegância, claro. Podem esperar, será de morrer de amor! Receberemos os amigos em casa, com no máximo cinquenta convidados ( eu prometi para a minha cerimonialista preferida, Shirley Yáñez, que teve, ela mesma, o casamento mais cool das redondezas cariocas, terei que cumprir ), portanto, não fique chateado se não for convidado ( risos ). Mais um motivo para que eu divida tudo com vocês, em doses homeopáticas, por aqui.

Vamos falar do vestido de noiva? Sim, vamos falar muito. Será confeccionado pela estilista Carol Nasser, que é uma artista incrível! Seu Atelier Carol Nasser veste noivas desse perfil. Noivas modernas que nas palavras da própria estilista, não querem realizar o sonho do príncipe encantado, são mulheres que já têm a vida que desejaram e querem celebrar essa feliz união. A noiva Carol Nasser sabe o que quer.

Quanto ao vestido, me deparei com uma questão, não poder mostrá-lo antes do casamento ( risos ). Fiquei possessa. Mas nem em fotos?! Não. Algumas tradições são inquebráveis. Então fui procurar saber porquê.

Dizem que não se pode ver o vestido da noiva, ou a noiva vestida antes do casamento porque em tempos remotos, os casamentos eram marcados pelos pais e, nem noiva nem noivo sequer se conheciam. Era um casamento político ou econômico. Que bom que o mundo evoluiu, neste sentido, embora alguns países ainda pratiquem esta tradição nefasta. Então, o noivo ou a noiva, caso se vissem antes do casamento, poderiam dar problemas para os pais, não querendo se casar, o que provavelmente aconteceria. O fato é que para uma noiva como eu, não mostrar o vestido antes do casamento virou mais uma superstição do que uma fidelidade à tradição. Não quero que ninguém saiba, para que possa ser uma surpresa deliciosa. É mais pelo prazer da brincadeira do que por uma regra imposta. Conclusão, farei fotos e muitas, das provas do vestido,  que já começaram. Vou mostrar sem mostrar nada, sabem como é? Mostrarei o clima e a ambiência sem mostrar o vestido,  espero que consiga ( risos ).

É isso! Vamos celebrar, com muita alegria e gratidão, afinal, somos pessoas de bem e merecemos.

Ficarei muito feliz em compartilhar com vocês os preparativos para o meu casamento. Sintam-se convidados a compartilhar comigo. E voilá!

http://www.shirleyyanez.com.br/

http://www.carolnasser.com.br/

Há Resistência Possível pela Arte?


Ao ler um chamado para uma palestra com Rafael Cardoso no Paço Imperial, me deparei com a questão que norteia meu trabalho como artista nos últimos meses “Quais princípios podem nortear as ações de combate às transformações que ameaçam o próprio sentido coletivo da arte? Essa questão se torna ainda mais essencial num momento em que a transgressão se encontra cada vez mais domésticada no meio artístico. Há resistência possível pela arte?” 

Primeiramente, ( claro que me vem a mente #foratemer, mas esta é outra questão, ou não ) arte é resistência. Esta questão se encontra mais no cerne do artista do que da própria arte que ele produz. A arte jamais perde sua função política, de resistência, o artista é que se torna domesticado pelos meios, por causa da necessidade de sobrevivência. Aliás, essa é uma das mais nobres questões do artista, como conciliar a arte que ele quer produzir, com a sobrevivência no mercado, congelado por modismos ou velhos cânones. Realmente este é um momento em que fica mais dilatado esse conflito por causa da exacerbação da necessidade de um posicionamento politico do artista, que é considerado vagabundo ou alguém que quer mamar nas tetas da democracia, ou que vive de vento, de aplausos e belos sorrisos. Esse momento passará por fim e nós artistas sobreviveremos, com certeza, mas a questão que nos perturba e nos engrandece ao mesmo tempo ( porque nos aproxima dos grandes, que pelo que sei, experimentaram todos tais dúvidas ) é como fazer um trabalho de resistência, sem panfletos ou partidos. Como não cair no conto do domesticado e não começar a falar da maneira como todos falam. Manter a sua fala única. Esta é a resistência possível pela arte. Me parece difícil, muito difícil quando se trata de sobreviver.

Não poderei ir à palestra, porque às quartas-feiras não tenho quem fique com meu filho Tom, infelizmente, o dever de mãe me chama mais alto mas com certeza, continuarei indagando sobre isso no meu fazer. E numa tentativa de manter as esperanças, me lembrei da frase de Nietzsche, “aquilo que não nos mata, nos torna mais fortes”.

4.2

Dei este título ao meu texto de hoje mas nunca entendi por que colocar o ponto no meio ( risos ). Gosto de falar que estou fazendo quarenta e dois anos, sem divisão de números, apesar de ser uma idade bastante complexa, em que nada parece simples. Explico.

Para mim foi muito intenso fazer quarenta, como quando fiz trinta anos porque nas duas idades tive meus dois filhos. Cora nasceu quando fiz trinta anos e Tom quando fiz quarenta e um. Duas idades emblemáticas, difíceis, que exigiram uma quebra de paradigma. Nada passou a ser como antes.

Hoje, fazer quarenta e dois anos me parece muito estranho, me sinto confusa, envelhecer se tornou visível no espelho, então penso, já era hora, em algum momento isso iria começar a acontecer ( risos ), mas ao mesmo tempo, quando olho para trás, penso, passou rápido demais! Chego a conclusão de que a vida de uma pessoa é um piscar de olhos!

Ainda tenho muita coisa para viver e sonhos para realizar. E agora, com a maturidade, me sinto realmente produtiva, muito mais capaz, e me parece estranho, que a juventude física passe assim tão rápido, porque é justamente nessa fase da vida que nos sentimos imortais. Quando somos jovens achamos que a juventude, se não eterna, demorará uma eternidade para passar ( risos ), mas ela passa e é curta, muito curta. O susto é inevitável.

E para agravar ainda mais a situação desse ser de quase “meia idade” ( risos ), fomos ensinados a acreditar que só os jovens podem sonhar e realizar seus sonhos. Talvez tenham me feito acreditar que com quarenta e dois anos, eu já devesse ter conquistado tudo? Mas, se é justamente com a maturidade que aprendemos a nos conhecer e a entender o que queremos e o que nos faz felizes. Fico confusa, me sinto solitária, você também?

Vivo uma fase de acreditar no começo, ou pelo menos em um recomeço. Tanta coisa a fazer, a conquistar. E me sinto capaz. Então, mãos a obra, Carolina! Basta acreditar, mesmo. Não me venha com medos, nem inseguranças, você já aprendeu que na vida as coisas são como nas palavras de Sanit-Exupéry, “você é responsável por aquilo que cativa” e sofre as consequências de conquistar aquilo que quer, portanto, cuidado com o que deseja ( risos ). A maturidade trouxe isso de bom, maior responsabilidade e consciência.

E na relação com o próprio corpo? Me parece igual. Aos quarenta e dois anos, já tivemos tempo suficiente de aprender o que nos faz bem, o que nos dá prazer, o que queremos e o que não queremos. O que não queremos é o mais importante nessa fase. Não aceitamos mais algo que nos faz mal em troca de algumas migalhas afetivas. A vida se torna muito mais prazerosa assim. Ter a consciência de que o esforço vale a pena para ter aquilo que se quer mas que o sacrifício sem um benefício também já não faz mais sentido.

Talvez não estejamos imunes às decepções. Decepção com o próprio corpo, que é matéria e toda matéria está sujeita a corrupção, não aquela que vemos estampada nos jornais todos os dias, e também nos decepciona, mas a corrupção da matéria, o findar da juventude.

Ah, é preciso cuidar ainda mais da saúde! Nesse aspecto, me sinto feliz. Lembra do sacrifício que traz benefício? Quando jovem, eu não fazia atividade física, não me alimentava de forma correta, não temia as noites em claro. Hoje, o cuidar de mim, faz eu me sentir mais jovem e então aceito o elogio de que pareço ter dez, quinze anos a menos, porque essa é sim a minha idade interna e ao sair da academia, ao negar um sorvete gorduroso e cheio de açucar, eu me sinto feliz! E se a vida é uma passagem, que possamos passar bem e saudáveis,  com o mínimo de dor possível.

Ontem tivemos um diálogo peculiar, meu marido e eu. Estamos em uma fase, como tantas outras, desafiadora, com filho pequeno, filha pré-adolescente e obra. Obra! É notório que estressa qualquer pessoa e separa muitos casais. Eu dizia:

– Amor da minha vida, de repente, me deu um bom humor, como um clic, uma certeza do fim, portanto, que bom o meio! Te amo.

Ele responde:

– Vc merece ser feliz!

Eu digo:

– Sim. Mereço. E você também. Então, vamos ser felizes juntos? ( risos )

– Vamos.

– Quer casar comigo? ( risos )

– Sim.
Depois de dezoito anos de relacionamento, ter este diálogo é no mínimo peculiar.

Que a juventude possa estar sempre dentro de nós, porque o fim é inevitável. Que tornemos a caminhada prazerosa porque somente assim vale a pena.

A juventude é o meu presente de quarenta e dois anos. Ou se preferirem, 4.2. ( risos )

“Eu sou uma atriz, mas não sou só uma atriz”

Disse Audrey Tautou em sua mais recente entrevista ao NY Times https://mobile.nytimes.com/slideshow/2017/06/20/t-magazine/audrey-tautou-superfacial/s/19tmag-audrey-slide-3S87.html?referer=http://m.facebook.com/
referindo-se ao seu trabalho de fotografia, intitulado Superfacial.
Uma série de autorretratos e algumas fotos de jornalistas que a entrevistaram no decorrer de sua carreira.
Achei muito oportuna e mais que isso, necessária essa referência a medida que também faço um trabalho autoral com fotografia e grande parte dele com autorretratos. Durante algum tempo, senti o preconceito dos dois campos, das artes plásticas e da atuação. Cheguei a ouvir que eu deveria me decidir entre ser atriz ou fotógrafa. Sinto que meu trabalho fala justamente de ir além desta visão especialista.

Muitas vezes quando a sua imagem é conhecida do grande público, torna-se essencial ao artista questionar a própria natureza da fama. Transpondo seu trabalho para além dela.
Quando Audrey Tautou diz que é uma atriz mas não só uma atriz, refere-se à sua identidade como artista, revelando toda a sua complexidade, independentemente da fama. Falar sobre isso, é, de certa forma uma subversão, aceita por alguns e rejeitada por muitos. Mas os artistas estão, cada vez mais utilizando meios de produção comuns em seus trabalhos autorais, e ousando redimensionar a imagem em um mundo que a banalisa ao extremo.
Numa época em que selfies de atrizes famosas valem muitos likes, redefinir a imagem é uma atitude corajosa e eu diria, até mesmo de vanguarda. Na busca pela originalidade utilizando algo do senso comum, Audrey subverte o que se espera de uma atriz. Afinal você é aquilo que se propõe ser e não o inverso.