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Coragem que nos move adiante

Eu queria andar nua ao vento

Queria buscar tua face em cada olhar

Eu queria andar descalça sem pensar

Queria encontrar

Tocar

A abertura do vento em meus cabelos

O novo não se sabe

Eu queria não ser mais o que já se foi

Quero olhar para o nada

E depois

Gozar, a tua paz

Alcançar além do mar

Horizonte, de fronte

Coragem que nos move

Adiante

A Prosa e a Poesia da Vida

Hoje acordei assim, cheia de luz, cheia de cores, cheia de tons. Naturalmente, sem efeitos, sem preconceitos, uma verdadeira LGBT.
Hoje precisei dessas cores para me deixar feliz. Precisei da luz que emana delas.

Não posso falar das outras épocas que não vivi mas posso apontar para tudo que vi hoje e senti. Disso, posso extrair o pessimismo que vai nos levar ao fim ou também posso extrair possibilidades, que nos levam avante.

Muito já estudei, muito já busquei e muito já aprendi. Sempre com pessoas incríveis. Repito, o humano é a nossa riqueza.

Aprendi que existem duas maneiras de viver, pode-se viver da prosa e da poesia. A prosa da vida é tudo aquilo que você tem que fazer; acordar todos os dias, fazer a higiene do seu corpo, da sua casa, pagar contas, sobreviver. A prosa é necessária mas ela não é a vida em si. A poesia é tudo que faz a vida valer a pena, que lhe dá prazer. Viver da prosa para a poesia, talvez esse seja o movimento certo. Talvez assim possamos encontrar, ou pelo menos buscar, a felicidade. É certo, que a felicidade como verdade absoluta não existe, mas todos nós sabemos que existe a poesia. Talvez tenhamos nos afastado da poesia, com a certeza de que se a prosa estiver perfeita, um dia, apenas um dia, chegaremos lá. Esquecemos que isso não passa de uma promessa que nunca se cumpre. Perdeu-se a humanidade. Buscamos a poesia onde ela não está.

A poesia está no descuido da prosa.

Quando menos esperamos, ela aparece, ali. E não precisa-se de muito para encontrá-la. Como diria o poeta gênio Luiz Melodia, tudo que se tem não representa nada. 

A má notícia é que cada um precisa e deve encontrar a sua própria poesia sozinho. Não há como se ter poesia sem viver na prosa. É preciso coexistir. Mas também não há como encontrar a poesia sem liberdade de ser, de expressar, de falar. Portanto a máxima LGBT é a que vale como representação da liberdade. Todos podemos ser o que quisermos, todos podemos optar pelo que nos dá prazer.

Todos temos direito à própria poesia, desde que não invada a prosa do outro.

Não sei porque falei sobre isso. Falei porque enquanto estava tomando meu café da manhã, mergulhada na prosa da minha vida, a poesia adentrou pela janela e banhou o meu rosto. Falei porque me incomoda a quantidade de pessoas pedindo ajuda na rua, a quantidade de profissionais fazendo outras “prosas” para vender, para sobreviver. Me incomoda que as pessoas estejam deixando de lado aquilo que elas mais sabem fazer, para subexistir. Me incomoda que crianças queiram estudar e não consigam, porque não têm escolas.

Porque quando se tira de um povo o direito básico de existência, de prosa, a primeira coisa que ele perde é a poesia.

Vamos continuar. Não vamos abrir mão da poesia, da nossa liberdade de expressão, do nosso bem mais precioso, daquilo que nos faz mais ricos.

Viveremos da prosa com poesia, sim, seremos a cigarra e também a formiga.

Como diz o gênio poeta,

Eu sou mais forte

Eu sou mais gente

Eu sou um rei

Eu sou a pura melodia

Que é feita de amor e alegria
Luiz Melodia

http://luizmelodia.com.br/m/

Há Um Ano, Meu Filho

Sinto falta de você dentro da minha barriga

Numa atitude egoísta 

Sinto sim

Porque você fez eu me sentir a mulher maravilha
De tudo eu fazia 

Corria, brincava, cantava

Me sentia mais forte do que a própria vida

E ria
Mas agora o vejo

Cantar, falar, correr, dançar

E meu coração de mãe se regozija

E desejo todo o amor, meu mundo, para ti
Sinto medo de te perder

Mas o maior medo

O medo de quem já o teve dentro de si

É o de que não sejas feliz
Toda aquela força 

Que outrora senti

Ficou aqui, marcada no corpo

Me preparou ainda mais para o que está por vir
Obrigada, meu filho

Não fui eu somente que te pari

Pariste a força de dentro de mim

Agora vamos juntos enfrentar as dores e os amores da vida
Porque como diz o poeta

Tudo vale a pena quando a alma não é pequena. 

Parabéns, Tom, pelo seu um ano de vida. Criança sorridente, iluminada, cheia de som. 

“I’m an actress, but I’m not just an actress”

Said Audrey Tautou in her most recent NY Times interview 

https://mobile.nytimes.com/slideshow/2017/06/20/t-magazine/audrey-tautou-superfacial/s/19tmag-audrey-slide-3S87.html ? Referer = http: //m.facebook.com/

Referring to his photography work entitled Superfacial.

A series of self-portraits and some photos of journalists who interviewed her in the course of her career.

I found it very timely and more than that, it needed this reference as I also do an authorial work with photography and much of it with self portraits. For some time I felt the prejudice of the two camps, the plastic arts and the acting. I came to hear that I should decide between being an actress or a photographer. I feel that my work speaks precisely of going beyond this expert view.
Often when his image is known to the general public, it becomes essential for the artist to question the very nature of fame. Transposing your work beyond it.

When Audrey Tautou says she is an actress but not just an actress, she refers to her identity as an artist, revealing all of her complexity regardless of fame. To talk about it is, in a way, a subversion, accepted by some and rejected by many. But artists are increasingly using the means of production common in their work of authorship, and daring to reshape the image in a world that banishes it to the extreme.

In a time when selfies of famous actresses are worth many likes, redefining the image is a brave attitude and I would say, even avant-garde. In the quest for originality using something of common sense, Audrey subverts what is expected of an actress. After all you are what you propose to be and not the reverse.
(I.e.