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Meio Século de Solidão 

Quando fui chamada pela Shirley Yanez e pela Editora Record para participar de Meio Século de Solidão (uma série de eventos no @gabo_cafe) para fazer uma leitura dramatizada, não imaginava o quanto seria prazeroso me aproximar um pouco mais desse escritor inigualável. 


Já havia lido Cem Anos de Solidão e outros livros do Gabo mas ao estudá-lo mais a fundo entendi que realidade e ficção estão tão próximas que se alimentam mutuamente. Se misturam tanto que quase não podemos destingui-las. 

Gabriel Garcia Marquez diria que a ficção é a realidade transformada pela imaginação. E que fantasia não existe. Inclusive ele fala em um de seus livros (Cheiro de Goiaba) que criança não gosta de fantasia, criança gosta de imaginação. E que a imaginação é tirada da realidade. Claro que ele diria de maneira mil vezes mais genial do que a minha, afinal, é o Gabo, e eu sou eu, mas o próprio Gabo, com sua literatura de um realismo imaginativo (para não dizer realismo fantástico, porque de fantástico não tem nada) propõe uma realidade que reconhecemos em nossas entranhas de America Latina, ela está tão próxima de nós, que faz com que pensemos que a realidade ordinária, mesmo que seja minha, seja sua ou seja de qualquer um, possa ser pensada como extraordinária se colocada nesse lugar da imaginação. 

Como me debrucei sobre Cem Anos, aprendi como o tempo é necessário para se fazer uma obra e a obra de um artista é composta de sua solidão.

Pelos últimos acontecimentos em minha vida, pude perceber que podemos sim tornar muita coisa real, e que se podemos fazer isso, não seríamos todos criadores, a medida que criamos a realidade, como fazia a avó do nosso Gabito, que conversava com os mortos e os tornava elementos vivos em sua própria vida.

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