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Deus é Feminino

Da série Readymade – Título Tinta Branca

Por causa de uma série de coisas pelas quais estou passando, ( escreverei sobre elas mais tarde, quando tiver atravessado a correnteza e tenha um tempo de suspiro e elevação para construir com palavras a vivência ), descobri suavemente e dolorosamente que Deus é feminino.

Ele ou melhor, Ela não pode se mostrar em toda a sua natureza, justamente pela necessidade de ser indecifrável a olhos mundanos.

Os olhos que a enxergam precisam travar uma batalha árdua em território carnal para se reencontrarem com Deus em sua poção divina. E essa poção é feminina no sentido mais amplo, da criação, da capacidade de adaptação, da descomunal força, do paradoxo que encerra em si, até mesmo da batalha a ser travada.

E talvez essa descoberta seja o despertar para o sentido de vida e morte, de construção e desconstrução, de finitude e renascimento no qual travamos nossas braçadas. No fundo, no fundo, gostaria de falar sobre isso através da arte.

 

 

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Pessoas famosas também são gente…

…como a gente.

Desenvolvo aqui um pensamento isento de moral (julgamento). Até por que, participo dos dois lados da questão que quero levantar. Não me debruço em absoluto sobre esta questão por interesses próprios mas por causa de meus filhos e consequentemente pelas crianças e jovens em geral.
Hoje em dia parece que ser famoso não é mais consequência daquilo que se faz, se tornou um objetivo em si. Nunca desejei a fama como um fim, eu queria ser reconhecida como atriz para ter a oportunidade de continuar trabalhando, sempre.
Quando a fama passa a ser um objetivo, o que se faz é o que menos importa, importa apenas conquistá-la, a qualquer preço. Mas se a fama é passageira, o que fica para depois?

©carolinakasting

Valorizar o trabalho e a qualidade do trabalho de um profissional é honrar o passado e pensar no seu futuro. Se você diz para as novas gerações que elas não precisam ser boas no que fazem, não precisam estudar, investir, progredir, aprender para conquistar um lugar na sociedade, se você diz à elas que o que importa é ser famoso e popular, você corre um grande risco de perder o principal para o futuro, a ética do saber.

©carolinakasting

Será que não estamos passando o recado de que, se você não precisa saber nada do seu “saber” para ser alguém na vida, para quê então você precisa saber?

Vivemos um momento de ode ao “zé-ninguém”, me entenda bem, não me refiro ao “zé-ninguém” do povo, aquele que luta por um lugar de sobrevivência, mas àquele que ocupa um lugar de reconhecimento e sucesso sem que tenha feito nada de relevante para isso. Assim, talvez, estejamos perdendo um dos valores mais bonitos da humanidade, o valor pelo trabalho.

E o trabalho que se fez relevante no passado, o trabalho dos profissionais que conquistaram o nosso presente fica no esquecimento. Talvez seja em função disso esses tempos tão sombrios.
A corrida por um reconhecimento imediato e gratuito, sem “o saber” é tão voraz que as pessoas estão deixando de lado “o viver” para priorizar a exposição do privado, em troca de uma promessa de fama e reconhecimento. Estão substituindo o afeto pela ideia de reconhecimento como se o reconhecimento pudesse ser gratuito, sem o esforço e a necessidade do tempo, do trabalho e do próprio viver.

Pergunto-me se as novas gerações estão percebendo a morte certa de um futuro promissor. Reconheço um movimento contrário em alguns grupos de jovens mas a maioria me parece vítima de um popularidade vazia. Os mais inteligentes e sensíveis sofrem muito com isso, porque se apercebem de que este objetivo de vida não lhes trará alegria e se angustiam, se achando inadequados ou insuficientes. No fundo sabem que o que tem valor na vida são as conquistas pelo mérito e que ganhar seguidores ou likes de maneira aleatória, só faz a vida passar sem nenhum valor real.
Em contrapartida, alguns profissionais que alçaram a fama como consequência de um trabalho realmente relevante, passam a ser objeto de desejo (consumo) e perdem o posto de gente, no sentido da desapropriação do afeto, como se não tivessem vontades, dores, amores, ilusões, inseguranças e principalmente como se não pudessem errar. Passam da condição de humanos à objetos modelo, e ganham um futuro perigoso pois quem precisa manter a fama fica a um passo do esquecimento do que lhe colocou lá, o trabalho, o ofício, palavra tão esquecida nesses tempos midiáticos. E isso para o artista é a morte certa, colocar o ego a frente da arte, alguns jamais se erguem novamente à dignidade do seu próprio eu.

©carolinakasting
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Meu Não-suicídio Confesso

®carolinakasting

A ideia de fracasso não me sai da cabeça. Tenho tido muitos pensamentos suicidas (não há com o que se preocupar, não vou cometê-los, por causa dos meus filhos). Então, me pergunto por que teríamos que alcançar uma satisfação plena e qual o sentido da vida se não a alcançarmos?

Talvez seja esse o grande erro, que tenhamos sido incumbidos de encontrar a felicidade. Agora, tenho certeza absoluta de que ela não existe.
Quando passamos a acreditar em sua existência? Para que serve a crença na felicidade a não ser para nos sentirmos ainda mais miseráveis?

A única crença que acredito valer a pena é a crença na continuidade da vida, esta é uma crença que pode nos levar adiante, mesmo com todas as dificuldades, arbitrariedades, solidão, insatisfações e muitas outras mazelas a que nossa trajetória como ser humano nos traz, a crença no infinito nos faz querer seguir adiante porque prova a necessidade da passagem, é a prova de que essa vida é uma passagem, e se é uma passagem, nos leva a algum lugar, ou dimensão, ou energia na qual todos fazemos parte.
E o quê seria eterno aqui, além da finitude desse corpo que utilizamos como quem usa uma roupa para fazer uma viagem? O que fica é somente o que fala de nós, da finitude, da passagem, da morte. A arte. Toda arte fala da morte porque fala de nós. Toda arte é eterna apesar do artista ser finito. Quem faz a arte, finda, enquanto que sua arte permanece. O artista se cala mas sua arte continua a falar, assim como o amor, que permenece no coração de quem foi amado. Quem amou finda, mas o amor continua a amar.

Estão aí as duas formas perpétuas do homem sem que ele seja infinito. Todos sabemos que não o é, embora o materialismo tente cinicamente mostrar o contrário. A arte e o amor, as duas coisas mais subjetivas na vida de um ser humano, são elas que ao falarem da morte, ao retratarem o espaço e tempo do homem, dão sentido a essa existência.
E talvez, por causa delas e somente por elas valha a pena viver. E assim encontrar prazer nessa vida imperfeita, e tirar forças da dor, da decepção, das incapacidades, do não saber, porque talvez eles próprios sejam o sentido da luta, sem eles seriamos escravizados por um sentido de existência perfeita, sem propósito.
O erro, o tédio, a dor, ao contrário do que passamos a acreditar, é aquilo que nos move, nos faz sair do lugar.
Por isso, é evidente a inutilidade da ideia de felicidade, por isso, estamos cada vez mais deprimidos e apáticos, porque enxergamos o tempo todo nos outros essa pseudo felicidade. Ela é falsa, os outros são como nós, náufragos.
O sucesso é um verdadeiro embuste. Sucesso é passar pela vida e deixar, apesar da sua finitude, algo eterno para aqueles que ficam.
Arte e Amor são a dignificação dessa vida passageira e quem luta a vida inteira e morre sem conseguir, ainda assim merece compaixão, pois não é uma tarefa das mais fáceis. Há uma complexidade na existência humana, que somente quando se compreende em seu absoluto sentido é que se encontra a sua simplicidade.

(Para Andrei Tarkovski)

®carolinakasting
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Gratidão e Amor. Venha, 2018!

Para mim a vida profissional não está separada da vida pessoal, assim como o corpo não está separado da alma. Esse ano que passou me deixou muitas lições, uma delas foi o encontro que tive com minha própria totalidade como ser humano. Esta totalidade, a encontrei no amor, na arte, na relação com o outro. A integridade encontrou seu sentido na vida. As parcerias nunca foram tão fortes. Por isso gostaria de agradecer às pessoas que compartilharam comigo essa jornada. Gratidão e amor por todos vocês. 

Que em 2018 sigamos juntos com mais sementes plantadas e mais frutos colhidos.

 Venha, 2018!

Mauricio Grecco Cora Arruda Grecco Rafael Grecco Carol Nasser Shirley Yanez Sayonara Sarti Vanessa Clark Karen Brusttolin Chapelaria Barbarah Sofitel Ipanema Rosenete Pereira Lucas Pereira Nova Assessoria Pino Gomes Alphorria Sergio Arruda Yara Kasting Arruda Carla Alves Fábrica Bhering 

Tuna Dwek Solange Pereira Galeria Eixo Arte Clube Quindim Volnei Canonica Roger Mello Yabú Uma Sara Figueiredo Cadu Lacerda Flavia Rodrigues Close In Closet Guga Arruda Milene Arruda

Tom Arruda Grecco Diego Senra Names Agenciamento Priscilla Prade Ivann Willig Estúdios Globo Janine Bastos Rodrigo Aidar Valesca Hime Rejane Kasting Arruda 

Glow Dry Bar Lena Valzinha Gabo Café We Do Yanez Confeitaria Marion Brasil Fernanda Thibau Vanessa Cabidelli Costão do Santinho Resort Mauricio Arruda Mendonça Paulo de Moraes Mirinha Renata Grecco 

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A Terra e o Tempo, quem somos nós nesse Natal?

“Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano, foi um indivíduo genial.”


Foi mesmo! Nunca vivi um ano tão intenso, tão difícil e maravilhoso ao mesmo tempo. Coisas inacreditavelmente lindas aconteceram e me deparei com situações em que a vida me disse sem rodeios: ou você muda, ou você muda. Realmente quero que o ano acabe mas não sem agradecer por estar viva e por amar meus filhos. 

Os filhos nos apresentam um espelho do que somos, daquilo que fomos. Muitas vezes é doloroso e a vontade que temos é de negar a realidade, fingir que nada está acontecendo e jogar para debaixo do tapete mas quem já viveu o suficiente e adquiriu um pouco de maturidade sabe que a realidade se impõe. Fingir que ela não existe não é uma opção. Você pode até fazer de conta que é, mas cedo ou tarde a verdade vem a tona. 

Então, qual seria a saída? Constatando que o ganho só se conquista com a dor, o jeito é encarar de frente as dificuldades e enfrentá-las. Assim, e somente assim elas somem, desaparecem, e este é o verdadeiro milagre humano, a capacidade que nós temos de mudar, de se adaptar, de se reinventar para a própria sobrevivência.

Esta é a minha mensagem de esperança para esse Natal e novo ano que se aproxima. Diante de todas as adversidades, que foram muitas, até mesmo gigantescas, no Brasil e no mundo, em 2017, a única saída é manter a esperança de forma consciente e se reinventar. Assim poderemos construir um mundo melhor. Fazer isto no micro cosmos da minha casa, com os meus filhos e no macro cosmos da minha cidade, do meu país, do nosso Planeta.
A Lei do Retorno deveria ser ensinada às crianças desde pequeninos, para que pudessem crescer sabendo que se eu jogo um lixo no chão e não me preocupo em onde ele vai parar, estou fazendo mal a mim mesmo, porque a chuva cairá, levará o meu lixo para o mar, que matará a tartaruga que não comerá as algas, e provocará um desequilíbrio ecológico. Nesse sentido podemos pensar de várias âmbitos, no ecológico, psicólogo, afetivo, físico e até mesmo estelar. 

Portanto, desejo a todos nesse Natal consciência, principalmente consciência.  Que as ferramentas possam ser usadas para nos trazer consciência e não nos alienar. 


Que em 2018 possamos continuar o esforço de compreender melhor os impulsos da natureza, dentro e fora de nós. Que possamos respeitar o sol e a sombra. Quando estivermos na noite, na escuridão, que possamos acreditar no sol, ele existe mesmo que não estejamos vendo-o. 
Que durante a calmaria possamos entender a tempestade e que durante a tempestade sejamos capazes de acreditar na calmaria. 

Somos parte da Terra e a Terra é aquilo que nos faz existir. 

Que possamos respeita-la. 


Desejo um feliz Natal para todos no espírito de respeito, amor e compaixão. 

www.costao.com.br

UM POVO SEM CULTURA É UM POVO SEM VOZ

Defender a cultura hoje virou algo condenável, como se todas as manifestações artisticas fossem iguais. Uma generalização que traduz bem o momento em que estamos vivendo, e os políticos fundamentalistas se apropriam disto. Como bem disse Vik Muniz, o sonho de todo autoritarista é presidir sobre uma nação de mudos. Pois bem, nós artistas não vamos nos calar, porque sabemos o que está por detrás desses fatos pontuais de censura, sabemos o que diz a mensagem subliminar.
Pensando sobre isto, me lembrei de O Grande Discurso de Charles Chaplin, que eu tinha pendurado na parte de dentro da porta do meu armário, no meu quarto de criança. Estava fadada a ser artista, pobre menina, fadada a militar pela liberdade de expressão e contra qualquer tipo de exploração. Lembrei disso porque a grande massa talvez não entenda, justamente por estar sendo manipulada. Chaplin tentava acordá-la ou pelo menos fazer uma analogia a sua dormência

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais que vos desprezam, que vos escravizam, que controlam as vossas vidas, que ditam os vossos actos, as vossas ideias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado e vos usam como carne para canhão. Não sóis máquinas! Homens é que sóis! E com o amor da humanidade nas vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar… os que não se fazem amar e os inumanos! Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade!”

Muito difícil fazer despertar, muito difícil mas se pode plantar a semente, semear, a função política da arte é esta, então sigamos fazendo arte.


Primavera

Feliz primavera para você, para mim, para todos nós.
Que sigamos nos respeitando na nossa individualidade, nas nossas opiniões.
Que busquemos amar ao próximo como a nós mesmos. E que o perfume das flores leve para longe a hipocrisia.
Que sejamos felizes reconhecendo nossas imperfeições e que aceitemos a ajuda dos outros quando ela vier com delicadeza e  respeito.
Que a humildade seja nossa maior dádiva. Que, como as flores, possamos ser simples e exuberantes. 

Bem vinda, primavera!