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Por que os homens ficam mais bonitos e nós viramos sapos de pele fria?

Por que os homens ficam mais bonitos quando envelhecem, com suas entradas e marcas do tempo e nós, na nossa maioria, viramos barangas ou sapos de pele fria, todas com a mesma cara? Por que as marcas individuais de um homem são valorizadas e as nossas rejeitadas?
Perdemos, ou jamais olhamos no espelho nossa própria imagem com nitidez. Somos as pessoas mais julgadas da história. Nossa imagem foi construída pelo outro (homem). Mesmo que tenhamos feito no decorrer da história, atos heróicos de rebeldia, que foram muitos, ainda assim não conseguimos nos olhar no espelho e nos aceitar sem culpa.
O retorno que sempre tivemos dos outros foi taxativo, repleto de adjetivos. Adjetivos perfeitamente inalcansáveis ou degradantes.
Primeiro fomos chamadas de BRUXAS, por nossa sabedoria e sensibilidade para com a natureza, intrínsica no nosso fisiológico.
Depois, fomos taxadas de SANTAS, imaculadas ao ponto de conceber o filho de Deus, mais tarde, anuladas em nossa individualidade, fomos jogadas para fora do mercado e nos chamaram de NULAS, nem diria que nos chamavam, porque éramos como fantasmas funcionais do lar, não nos era dado o direito de opinião, e muito menos de reclamar da escravidão. Nessa época criamos nossos filhos, que eram sempre muitos (função nobre da mulher, a procriação). Com toda a força que nos é peculiar, parimos, amamentamos, alimentamos, trabalhamos, educamos, organizamos, gestamos e muitas de nós nunca foram sequer notadas.
Depois, fomos chamadas de REBELDES por nossos atos, por termos mostrado ao mundo que por trás da força masculina sempre existiu um alicerce feminino, até porque somos a fonte de todos, mas foi aí que nos enganamos. Conquistamos um espaço (tiveram que engulir a nossa potência de realização no mundo) mas esquecemos que o mundo, da forma que conhecemos, nos deu um retorno de uma imagem estereotipada na qual nem mesmo nós não reconhecemos.
Nossa noção de liberdade está um pouco equivocada a medida que nos dão opção de escolha mas não somos nós que fazemos nosso próprio caminho. Podemos sim escolher entre ser objeto sexual, guerreiras trabalhadoras, inteligentes assexuadas, feministas repulsivas, putas, mães desprovidas de auto estima.
Qual você quer ser? Eu gostaria de não ser nenhuma e ser todas ao mesmo tempo, gostaria de me ver no melhor de mim, real, humana, feminina.

Gostaria que nós mulheres a partir da consciência de que podemos construir nossa imagem no mundo, pudéssemos escolher quem desejamos ser, independente da relação com o masculino que é por demais necessária, até mesmo dentro de nós.

A consciência nos abre um caminho para entendermos que os estereótipos são armas de opressão. Ser um sex symbol pode ser um ato de transgressão como também pode corroborar com essa imagem machista de que a mulher continua a servir o homem sem direito a interesses e desejos próprios. No final, tudo acaba no interesse do homem, e arrisco dizer que aí é que reside a nossa culpa.

Este peso, podemos tirar dos nossos ombros mas só será possível quando nos olharmos no espelho e enxergarmos a imagem que queremos ter.

Fotos Pino Gomes