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POEMA PROFUNDO – Amazônia

Começo.
Ela se fez vida
Nela, foi o princípio
Abundância
Em todas as suas entranhas
Pulsa pura, primitiva
Ela é terra, água e ar
Ela é tudo que existe
Porque sem ela não existe mar
Meio, entre começo e fim.

Como um coração, bombeia a seiva
Seu corpo não tem limite
Onipresente
São muitos corpos
Vivos, feitos
De matérias e formas diferentes
Das suas artérias
Ela é a Floresta que faz vida
No mais distante Ártico
No mais próximo Sertão

Então,
De água, terra e ar
Nasceu seu filho Homem
Elementar
Um dia, enlouquecido
Voltou-se contra si mesmo
Esse, que nasceu da sua placenta
Floresta universal
A mata
Atlântica
A selva
Amazônica,
A Taiga, Savana, Estepe, Tundra e Pluviais
Ele se levantou
Atravessou fronteiras
Do alto da sua cegueira
Enxergou
Fez diferença e segregou
Dos muros que construiu,
Extraiu horror
Tornou-se besta, a fera
Na esfera da morte
Alimentou-se de seus irmãos
Engoliu o próprio coração

Esse, filho de homem
Ateou fogo da mão
E perverso
Cometeu filicídio
Matou a Mãe,
Genocídio na Floresta
Detentora das almas, dos animais
Suicídio
Ateou fogo no pé,
O corpo todo ao chão
Matou a própria vida
Aquela que nutre
Coração e pulmão

Cego pelo ódio,
Fez, no futuro, seus filhos sufocados
Não mais Mãe, Filho, do Pai
Carrasco, canibal
Do mundo, da vida animal.
Fim.

Rio de Janeiro, agosto de 2019

POEMA cedido para o acervo Amazônia Chama

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