Dar é muito melhor do que receber.


Aos poucos vou arrumando minhas coisas no apartamento novo. As últimas caixas vão sendo esvaziadas. Passei três meses com metade das minhas coisas encaixotadas em um depósito, por causa da obra e me prometi que quando abrisse as caixas, as receberia como se fossem novas. E assim eu fiz. 

Sempre ouvi meu marido falar que as coisas que possuímos têm um fio transparente que as ligam à nós, e que quanto mais coisas você tem mais atado a fios você está, como uma prisão. Não chego a ser uma adepta do minimalismo, mas sou fã e procuro me livrar dos excessos, em todos os sentidos, no consumo, alimentação e ostentação. Tenho consciência que a liberdade está relacionada com a quantidade de coisa que uma pessoa possui. 

Na prática é um pouco mais difícil de realizar. A vida moderna, a sensação de preenchimento que o consumo dá, os presentes que ganho. Me esforço para cumprir, até porque é uma questão de ecologia e sustentabilidade. Por isso prometi a mim mesma que de tempos em tempos doaria tudo que não uso, estabelecendo um prazo. Mais de um ano sem uso? Já para a doação. E doo. Doo sem perdão. As pessoas lá em casa até brincam comigo, onde está aquela camiseta? A Carol doou ( risos ).

E assim vou tentando cumprir de forma imperfeita minha missão como cidadã. Como fazem os japoneses, vou varrendo a minha parte da calçada.

Mas hoje vivi o sublime ao encontrar nas minhas arrumações um colar que me foi dado há algum tempo atrás e que foi muito útil, não posso revelar por que ( risos ). Não o uso mais e resolvi dá-lo. Pensei em uma amiga e o milagre aconteceu. A reação dela ao receber foi tremendamente linda e emocionou a nós duas. Fiquei tão feliz com a felicidade dela que quem ganhou o presente fui eu.
Sei que este colar será muito mais útil estando com ela do que no escuro da minha gaveta, com mais um fio transparente ligado a mim. 

Tenho passado por momentos difíceis, são os quarenta e dois anos, a obra, a mudança de casa, os desafios que a vida me tem proposto. A montanha que todos nós temos que atravessar. 

É, viver a vida é coisa muito humana e dividi-la com alguém é inacreditávelmente humano. 

A minha felicidade anterior era uma premonição do que aconteceria, um presente, essa sensação maravilhosa de doar.

Mas você tem que encontra-la sozinho, o prazer de doar, ninguém pode te dar. 

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