4.2

Dei este título ao meu texto de hoje mas nunca entendi por que colocar o ponto no meio ( risos ). Gosto de falar que estou fazendo quarenta e dois anos, sem divisão de números, apesar de ser uma idade bastante complexa, em que nada parece simples. Explico.

Para mim foi muito intenso fazer quarenta, como quando fiz trinta anos porque nas duas idades tive meus dois filhos. Cora nasceu quando fiz trinta anos e Tom quando fiz quarenta e um. Duas idades emblemáticas, difíceis, que exigiram uma quebra de paradigma. Nada passou a ser como antes.

Hoje, fazer quarenta e dois anos me parece muito estranho, me sinto confusa, envelhecer se tornou visível no espelho, então penso, já era hora, em algum momento isso iria começar a acontecer ( risos ), mas ao mesmo tempo, quando olho para trás, penso, passou rápido demais! Chego a conclusão de que a vida de uma pessoa é um piscar de olhos!

Ainda tenho muita coisa para viver e sonhos para realizar. E agora, com a maturidade, me sinto realmente produtiva, muito mais capaz, e me parece estranho, que a juventude física passe assim tão rápido, porque é justamente nessa fase da vida que nos sentimos imortais. Quando somos jovens achamos que a juventude, se não eterna, demorará uma eternidade para passar ( risos ), mas ela passa e é curta, muito curta. O susto é inevitável.

E para agravar ainda mais a situação desse ser de quase “meia idade” ( risos ), fomos ensinados a acreditar que só os jovens podem sonhar e realizar seus sonhos. Talvez tenham me feito acreditar que com quarenta e dois anos, eu já devesse ter conquistado tudo? Mas, se é justamente com a maturidade que aprendemos a nos conhecer e a entender o que queremos e o que nos faz felizes. Fico confusa, me sinto solitária, você também?

Vivo uma fase de acreditar no começo, ou pelo menos em um recomeço. Tanta coisa a fazer, a conquistar. E me sinto capaz. Então, mãos a obra, Carolina! Basta acreditar, mesmo. Não me venha com medos, nem inseguranças, você já aprendeu que na vida as coisas são como nas palavras de Sanit-Exupéry, “você é responsável por aquilo que cativa” e sofre as consequências de conquistar aquilo que quer, portanto, cuidado com o que deseja ( risos ). A maturidade trouxe isso de bom, maior responsabilidade e consciência.

E na relação com o próprio corpo? Me parece igual. Aos quarenta e dois anos, já tivemos tempo suficiente de aprender o que nos faz bem, o que nos dá prazer, o que queremos e o que não queremos. O que não queremos é o mais importante nessa fase. Não aceitamos mais algo que nos faz mal em troca de algumas migalhas afetivas. A vida se torna muito mais prazerosa assim. Ter a consciência de que o esforço vale a pena para ter aquilo que se quer mas que o sacrifício sem um benefício também já não faz mais sentido.

Talvez não estejamos imunes às decepções. Decepção com o próprio corpo, que é matéria e toda matéria está sujeita a corrupção, não aquela que vemos estampada nos jornais todos os dias, e também nos decepciona, mas a corrupção da matéria, o findar da juventude.

Ah, é preciso cuidar ainda mais da saúde! Nesse aspecto, me sinto feliz. Lembra do sacrifício que traz benefício? Quando jovem, eu não fazia atividade física, não me alimentava de forma correta, não temia as noites em claro. Hoje, o cuidar de mim, faz eu me sentir mais jovem e então aceito o elogio de que pareço ter dez, quinze anos a menos, porque essa é sim a minha idade interna e ao sair da academia, ao negar um sorvete gorduroso e cheio de açucar, eu me sinto feliz! E se a vida é uma passagem, que possamos passar bem e saudáveis,  com o mínimo de dor possível.

Ontem tivemos um diálogo peculiar, meu marido e eu. Estamos em uma fase, como tantas outras, desafiadora, com filho pequeno, filha pré-adolescente e obra. Obra! É notório que estressa qualquer pessoa e separa muitos casais. Eu dizia:

– Amor da minha vida, de repente, me deu um bom humor, como um clic, uma certeza do fim, portanto, que bom o meio! Te amo.

Ele responde:

– Vc merece ser feliz!

Eu digo:

– Sim. Mereço. E você também. Então, vamos ser felizes juntos? ( risos )

– Vamos.

– Quer casar comigo? ( risos )

– Sim.
Depois de dezoito anos de relacionamento, ter este diálogo é no mínimo peculiar.

Que a juventude possa estar sempre dentro de nós, porque o fim é inevitável. Que tornemos a caminhada prazerosa porque somente assim vale a pena.

A juventude é o meu presente de quarenta e dois anos. Ou se preferirem, 4.2. ( risos )

3 comentários sobre “4.2

  1. primeiramente parabéns pelos 4.2 , “segundamente” parabéns pela introspecção que gerou este post Foi de uma profundidade sem tamanho (ou sem fundo rsrsrsr) .Penso que a beleza interior sobrepuja a exterior a seu tempo, e quanto a decepções são filhas da alta expectativa que temos, sobre tudo e sobre nós mesmos, curtir as fases passadas e as porvir é uma dádiva, agora, haja logística para atender desejos de idades diferentes dos filhos ah isso é bronca viu?

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  2. Em seu texto você parece concordar com o ditado do escritor mexicano Carlos Fuentes: “Sou eternamente jovem porque sou eternamente criativo”. Parabén por seu aniversario!!!

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